Portal da Enfermagem
Apoio Cultural:
Entrevistas

 

Clínica de Imunização

Vanice Costa
Enfermeira especialista em doenças infecciosas, Responsável Técnica da Clivan Vacinas
clivan.vanice@uol.com.br

16/11/2010

A A A

Em 1973, o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde, criou o Programa Nacional de Imunizações (PNI), por meio da Lei 6.259/75 e Decreto 78.231/76, que coordena as ações de imunização na rede de serviço de saúde, focando a atenção nas crianças, nos adultos, principalmente mulheres em idade fértil, e nos idosos a partir de 60 anos.

 

Ações de imunização têm papel relevante na sociedade, pois é por meio de um programa abrangente, avançado e focado na saúde pública que se obtém redução da morbimortalidade por doenças imunopreveníveis. No Brasil, temos como exemplo os casos de coqueluche, sarampo e tétano. E nessas quase quatro décadas, o PNI teve participação significativa na erradicação de doenças, como varíola e paralisia infantil.

 

Mas a queda no número de casos é também reação de avanços na produção de vacinas, na conservação das mesmas, na capacitação da equipe de saúde que atua nesta área e, claro, do cumprimento de amplas coberturas vacinais.

 

A enfermagem participa ativamente de todas as ações de execução do PNI, abrindo mais uma frente de atuação dos profissionais da área, contribuindo para que o trabalho multiprofissional seja desenvolvido com conhecimento técnico e científico, alçando as metas propostas pelo Programa e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

 

A imunização, por sua vez, também faz com que o enfermeiro seja empreendedor. Exemplo disso é a atuação da enfermeira Vanice Costa, especialista em doenças infecciosas, que frente à Clivan Vacinas, de São Paulo, atua como enfermeira Responsável Técnica e também realiza o controle administrativo com foco na satisfação dos clientes atendidos. Semanalmente ligamos para 10% dos pacientes atendidos e perguntamos se há alguma sugestão para melhoria dos nossos serviços.

 

Nesta entrevista, além de falar um pouco do seu cotidiano nesta área, ela nos esclarece informações importantes sobre o tema Imunização.

 

Qual a importância da enfermagem frente ao serviço de imunização?

É de responsabilidade da equipe de enfermagem a capacitação do

profissional da sala de vacina no que diz respeito ao acolhimento do paciente desde a vacina a ser administrada, as suas condições de uso (mantidas na temperatura de +2ºc a +8ºc), a administração dessa vacina realizada dentro das normas e técnicas preconizadas pelo PNI (Programa Nacional de Imunizações) e as orientações pertinentes a possíveis contra-indicações e reações adversas

 

O que compete ao enfermeiro nesta área?

É relevante a atuação do enfermeiro em todas as ações de uma sala de vacina, onde é de sua responsabilidade a conservação das vacinas, manutenção do estoque, administração das vacinas, capacitação do profissional e elaboração do arquivo, o qual tem o controle das doses administradas na rotina diária, garantindo assim a eficácia de uma possível busca ativa aos faltosos.

 

Existe aperfeiçoamento para quem deseja atuar em imunização?

O aperfeiçoamento é a especialização e a pós-graduação em Saúde Pública e Saúde da Família.

 

Quais são os aspectos operacionais em sala de vacinas que merecem uma atenção especial da enfermagem?

- Orientar e prestar assistência à clientela com segurança, responsabilidade e respeito;

- Prover periodicamente as necessidades de material e imunobiológicos;

- Manter as condições ideais de conservação de imunobiológicos;     

- Manter os equipamentos em boas condições de funcionamento;

- Acompanhar as doses de vacinas administradas de acordo com a meta;

- Buscar faltosos;

- Divulgação dos imunobiológicos disponíveis;

- Avaliação e acompanhamento sistemático das coberturas vacinais e

- Buscar periodicamente atualização técnico-científica.

 

 

“É relevante a atuação do enfermeiro em todas as ações de uma sala de vacina”

 

 

Existe algum protocolo de imunização?

Sim, existe o Calendário Nacional de Imunização (CNI) e as recomendações das Sociedades de Imunização e Pediatria de vacinas não disponíveis na rede pública como, por exemplo: Varicela, HPV, Pneumocócica 13 valente e Hepatite A.

As clínicas privadas possuem protocolos para uso de vacinas combinadas, ou seja, o número de picadas é menor durante a imunização. Exemplo: Vacina Hexavalente: Salk (pólio Injetável) DPT acelular; Haemophilus e Hepatite b.

 

Na sua visão, quais aspectos ainda necessitam ser revistos para melhor a assistência?

A segurança do paciente é uma preocupação constante para nós. Temos barreiras de prevenção de erros em todas as etapas do nosso processo. Desde a compra de vacinas até o acompanhamento pós-vacinal sempre trabalhamos com check-list para que o erro seja evitado. Quando qualificamos os fornecedores temos uma relação de requisitos que precisam ser atendidos.

 

Quais os cuidados que a enfermagem deve ter com relação ao armazenamento/ conservação das vacinas?

Sempre digo que esse é o ponto “G” da vacina. Esse cuidado deve ser vigiado desde o recebimento da vacina. Precisamos qualificar nossos fornecedores e no recebimento da vacina devemos conferir a temperatura de chegada com termômetros específicos. Importante também é manter em geladeira apropriada para imunobiológicos e com sistema alternativo de energia podendo ser gerador ou geladeira com baterias. As vacinas precisam ser mantidas de 2 º a 8 º graus. Qualquer alteração dessa faixa de temperatura deve ser comunicada ao laboratório e autoridade sanitária local para desprezo das mesmas quando necessário.

 

Como deve proceder para o registro e arquivo das atividades?

O registro precisa ser seguro. Na empresa que dirijo, a Clivan, o registro é informatizado e realizamos back-up diário das informações.

 

Qual é o papel da enfermagem frente às campanhas de vacinação?

É de competência do enfermeiro, por meio de seu conhecimento científico, capacitar profissionais conscientes de que estão cuidando da saúde, da sobrevivência de milhões e milhões de cidadãos.

 

Atualmente, como está composto o Calendário Nacional de Vacinação?

Com a introdução das vacinas, o Calendário Básico de Vacinação do Programa Nacional de Imunização (PNI) do MS passará a ter 13 tipos de vacinas para proteger contra 19 doenças.
A oferta total do PNI, considerando as imunizações especiais, passa a ser de 28 tipos de vacinas, nacionais e importadas. O número é 30% maior que em 2002, quando eram oferecidos 18 tipos.
Novo Calendário Básico de Vacinação depois da inclusão da pneumocócica 10-valente e anti-meningococo C

1. BCG (contra tuberculose)

2. Vacina contra hepatite B   
3. DTP (contra difteria, tétano e coqueluche)
4. DTP+Hib (contra difteria, tétano e coqueluche e infecções por Haemophilus influenzae tipo B)
5. DT (dupla adulto – contra difteria e tétano)
6. Vacina Hib (infecções por Haemophilus influenzae tipo B)
7. Vacina contra poliomielite
8. Vacina contra rotavírus
9. Vacina contra febre amarela
10. Tríplice viral (contra caxumba, rubéola e sarampo)
11. Vacina contra Influenza (gripe)
12. Vacina Pneumocócica (contra meningites bacterianas, pneumonias, sinusite, inflamação no ouvido e bacteremia)
13. Vacina anti-meningocócica (contra doença meningocócica)

Além das vacinas preconizadas no Calendário, quais você recomenda?

- Varicela- catapora –a partir de nove meses de vida

- Hepatite A – a partir de um ano de vida

- Pneumocócica 13 valente – a partir de dois meses de vida

- HPV- a partir de nove anos de idade

- Febre tifóide – a partir de dois anos de vida - quando viagem para locais endêmicos

- Diarréia do Viajante – a partir de um ano de vida

 

E com relação ao custo das vacinas?

As vacinas que estão previstas no Calendário são todas gratuitas, desde que tomadas nos postos disponíveis, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Já as citadas acima são encontradas em clinicas particulares e o custo de cada dose dependerá do tipo de vacina, mas variam de R$ 80 a R$ 300.

 

Existe perspectiva de inserção de novas vacinas?

Com base nas pesquisas moleculares sobre o genoma e proteínas, novas vacinas virais deverão ser utilizadas de forma rotineira nas próximas décadas. Por outro lado, espera-se que cada vez mais sejam associados diferentes antígenos imunizantes em uma mesma dose, visando a reduzir o número de aplicações de vacinas nas populações a serem imunizadas. Pela importância de sua estrutura científica e tecnológica, o Brasil deve aumentar a participação nos processos de desenvolvimento de novas vacinas e na avaliação de sua eficácia, envolvendo maior número de pesquisadores e tecnologistas, com o incremento de investimento nessas atividades.

 

Desde quanto você atua na área de imunização e por que optou por esta especialidade? O que a motivou para abrir a sua própria clinica?

A Clivan foi constituída em 1996, portanto estamos no mercado há 14 anos. Sempre gostei de atividades relacionadas a doenças infecciosas. Trabalhei alguns anos como enfermeira em Serviço de Controle de Infecção Hospitalar antes de criar a Clivan Vacinas.

 

 

 

Seu sucesso profissional permitiu que montasse a sua própria Clínica. O que a motivou?

Na verdade, meu sócio, o infectologista Ivan Marinho esteve na Espanha, em 1992, e voltou com essa intenção, pois lá, naquela época, a vacina contra gripe já era um hábito e as clínicas privadas tinham conseguido se estabelecer no mercado.

 

Quais obstáculos precisou superar?

Bem, quando você inicia seu próprio negócio tudo é muito desconhecido. Acredito que tecnicamente nada me assustou, mas administrativamente tudo era novidade.

Com o tempo fomos aprimorando os controles administrativos; financeiros e de compras. Hoje é tudo informatizado desde o recebimento das vacinas até a rastreabilidade dos lotes.

 

 

“o Brasil deve aumentar a participação nos processos de desenvolvimento de novas vacinas”

 

 

O que de mais positivo agregou à sua carreira torna-se uma empresária?

Sendo um empreendedor, você terá que interagir com muitas pessoas. Sejam os seus subordinados, clientes ou parceiros, habilidades adequadas de comunicação e atitudes adequadas são muito importantes. Lembre-se, "85% do sucesso na vida deve-se à habilidade de comunicar-se e relacionar-se bem com as pessoas". Para qualquer área de atuação precisamos ter desejo, dedicação e disciplina.

 

Existe algum selo de qualidade disponível para clínicas de Vacinação? Quais as vantagens deste certificado de qualidade?

Existe o programa do Sistema Brasileiro de Acreditação (SBA) que avalia e certifica serviços de imunização. A Clivan, desde 2007, é a única clínica certifica pelo SBA. Com isso temos muitas vantagens, como a principal delas que é a qualidade da assistência gerando segurança para os pacientes e para os profissionais que lá atuam, mas também beneficia:

- Construção de equipe e melhoria contínua;

- Útil instrumento de gerenciamento;

- Critérios e objetivos concretos adaptados à realidade brasileira;

- O caminho para a melhoria contínua.




Comentários   Clique aqui para enviar o seu comentário.


2/7/2012 - Everson Bobato Prudentopolis-PR
Segundo a legislação apenas o médico pode ser o responsável técnico por clinicas de vacinação...isso mesmo ou estou enganado, nós enfermeiros podemos assumir essa RT? Parabéns pela matéria!!!

5/12/2011 - Mônica de Fatima Ferreira Contagem-MG
Parabéns, pela excelente matéria. Sou técnica de enfermagem e gostaria de saber o que é preciso pra ser um franquiado ou abrir uma clínica de vacinação.

18/12/2010 - Domiciana Santana Parente Palmas-TO
Parabéns Enfermeira Vanisse, pela sua entrevista gostei muito sou biologa, e enfermeira quero montar uma clinica de vacinas e gostaria de saber se tenho que me associar a um médico? E se ele tem que ter alguma especialidade nesta área. Desde já agradeço. Aguardo respota.

24/11/2010 - Sueli de Fátima da Luz Sao Paulo-SP
Parabéns Vanice pela excelente matéria, muito esclarecedora, principalmente nestes tempos de super bactérias, onde todos devemos tomar muito cuidado.

22/11/2010 - Maria Betânia Duarte Vidal Sao Paulo-SP
Parabéns!! Vanice, As informações e o aprendizado contínuo sobre vacina nunca são demais. Gostei demais de ver essa matéria e em especial sobre o reforço da necessidade e da importância do Enfermeiro atuar de verdade no que lhe compete.

18/11/2010 - Tania Maria do N. Jeronimo Campina Grande-PB
Parabéns pelo seu sucesso, e pela entrevista. Coordeno o programa de imunização no municipio de Campina Grande/PB, e estou na supervisão do programa em 42 municipios da regional, mas o meu sonho é ter minha própria clinica de vacinas. Minha dúvida é: tenho que me associar com um médico para poder abrir o meu próprio negócio? E ele tem que ter uma especialidade especifica? Abraços. Aguardo informações, por favor.

17/11/2010 - Meire de Matos Sao Paulo-SP
Vanice, parabéns! As informações ofertadas por você alcançam não somente os profissionais da saúde, mas a todos de nossa sociedade que buscam por conhecimento e orientação neste setor tão descuidado, que é a saúde. Obrigada pela doação. Maravilhosa sua entrevista! Abraços Drª Meire

17/11/2010 - Luiz Tiago Lima de Souza Sao Paulo-SP
Maravilhosa entrevista, Precisamos de profissionais que esclareçam de maneira simples e eficaz a rotina do PNI, Vanice Parabéns!

17/11/2010 - Carlos Canhada Sao Paulo-SP
Vanice... Parabéns e Obrigado por essa valiosa contribuição ao nosso público de enfermagem. Esse conhecimento tão especifico na forma como você abordou o assunto é difícil encontrar. Só vindo mesmo de uma especialista como você. Fantástica sua entrevista! Um forte abraço, Carlos Canhada


Voltar Imprimir Indicar por e-mail
Cadastre-se

para receber nossos informativos >>>>>