São Paulo, 20 de julho de 2018
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A importância da nutrição especializada no tratamento de feridas crônicas

4/5/2018

Dia enfermeiro

 

É consensual que a nutrição tem demonstrado papel relevante no tratamento de feridas crônicas. Também se faz necessária a conscientização sobre a demanda de nutrientes que necessitam de uma abordagem nutricional para maior eficácia na cicatrização de feridas e, consequentemente, na melhora dos desfechos.1-4 Só no Brasil, estima-se que 5 milhões de pessoas possuam feridas crônicas.5-8 Lesões por pressão, por exemplo, acometem até 25% dos pacientes hospitalares e em home care2, o que pode ocasionar o aumento dos dias de internação e o custo médio de internação.

 

O processo cicatricial

 

A cicatrização é um processo complexo divido em várias fases que podem se sobrepor em diferentes locais da ferida assim como podem ser inibidas ou ser influenciadas negativamente por vários fatores intrínsecos e extrínsecos. Uma ferida causa inúmeras mudanças no organismos, decorrente de um processo catabólico que leva ao aumento das necessidades energéticas e nutricionais6,7.

 

Isso acontece por consequência da reparação e reconstrução dos tecidos que ocorre durante a cicatrização, momento em que quantidades maiores de energia e de nutrientes são requisitadas. As deficiências nutricionais impedem os processos normais que permitem o progresso até a cicatrização, uma vez que a fase inflamatória se estende, desde a proliferação de fibroblastos e alteração da síntese de colágeno. Por isso o estado nutricional e os nutrientes ganham papel fundamental.

 

Nutrientes de importância

 

O tratamento adequado das feridas envolve o papel da proteína em todo o processo de cicatrização, desde a fase inflamatória até a fase de remodelação. As proteínas são utilizadas como substrato e também como medidores inflamatórios (enzimas proteolíticas, citocinas, neuropeptídios) de todo o processo.1-4

 

A depleção de proteína prolonga o tempo da fase inflamatória, inibe a proliferação fibroblástica, a angiogênese, diminui a síntese e deposição de colágeno e proteoglicanos, reduz a força tênsil da ferida condicionada a capacidade fagocítica dos leucócitos e a resposta imune e inibe a remodelação da ferida.1-4,10-13

 

O aporte energético insuficiente também causa depleção da proteína, pois as reservas proteicas funcionam como fonte energética levando à perda de massa magra. À medida que a quantidade de massa magra diminui, mais proteína é utilizada para repor as perdas dessa mesma massa, comprometendo assim a cicatrização de feridas. Por isso , é importante que o aporte calórico adequado seja entregue ao paciente com necessidade de cicatrzação de feridas.1-4,10-13

 

Existe a evidência de que alguns aminoácidos e micronutrientes são importantes no processo de cicatrização de feridas.1-4,10-13 Entre eles, os micronutrientes tais quais zinco, selênio e vitaminas A,E,C, são micronutrientes essenciais para a síntese de colágeno e cicatrização.10,11,17. Já a arginina, e mais recentemente estudada a prolina, tem papeis importantes no processo de cicatrização. A arginina tem apoio de diversas diretrizes, destacando principalmente sua importância contribuindo para a formação de maior teor de prolina e hidroxiprolina essenciais para a síntese do colágeno.

 

Como garantir então uma cicatrização eficaz?

 

Resumidamente com isso, vemos que é clinicamente comprovada a importância da nutrição na cicatrização de feridas crônicas.1-4,10-13 Um conhecimento aprofundado em feridas e cicatrização, aliado a um bom aporte nutricional pode resultar na aceleração da cicatrização, redução da morbidade e mortalidade, na melhoria de qualidade de vida e na diminuição do tempo internação10,11.

 

A presença de um nutricionista na equipe multidisciplinar é fundamental para a realização de um diagnóstico nutricional completo, em que a intervenção nutricional permita satisfazer as necessidades aumentadas de energia, proteína e nutrientes, bem como a prevenção da desnutrição para melhor eficácia na cicatrização de feridas.

 

 

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com o Dr Adriano Mehl, Dra. Diana Dock-Nascimento e Enf.ª Cláudia Satiko, acesse e confira https://bit.ly/2JTg1mC

 


Referências consultadas:

 

Referências blibliográficas: 1. Brown KL, Phillips TJ. Nutrition and wound healing. Clinics in Dermatology 2010;28:432-439. 2. Johnston E. The Role of Nutrition in Tissue Viability. Wound Essentials 2007; 2: 10-21. 3. Brown KL, Phillips TJ. Nutrition and wound healing. Clinics in Dermatology 2010; 28:432-439. 4. Wild T, Rahbarnia A, Kellner M, Sobotka L, Eberlein T. Basics in nutrition and wound healing. Nutrition 2010; 26:862-866. 5. Caso Complexo 3 - llha das Flores. Fundamentação Te6rica: Feridas. UNA-SUS, UNIFESP. Especialização em Saude da Familia, 2012. 6. Rogenski NMB, Santos VLCG. Estudo sobre a incidencia de ulceras por pressao em um hospital universitario. Rev Latino-am Enfermagem 2005; 13(4):474-80. 7. Reiber GE. The epidemiology of diabetic foot problems. Diabet Med. 1996; 13 Suppl 1 :56-11. 8. Rocha JA, Miranda MJ, Andrade MJ. Abordagem terapêutica das úlceras de pressão - intervenções baseadas na evidência. Acta Med Port 2006; 19: 29-38. 9. Monaco JL, Lawrencw WT. Acute wound healing an overview. Clin Plast Surg 2003; 30:1-12. 10. Correia MITD, Renofi o J, Serpa Let al. Sociedade Brasileira de Nutrição, Parenteral e Enteral; Associação, Brasileira de Nutrologia. Terapia Nutricional para Portadores de Ulceras por Pressao. Associação Medica Brasileira/Conselho Federal de Medicina - Projeto Diretrizes (DITEN), 2011. 11. Soriano JV, Perez EP. Nutrição e Feridas Cr6nicas. Grupo Nacional para el Estudio y Asesoramiento em úlceras por Presión y Heridas Crónicas. Documento Técnico GNEAUPP no XII 201. 12. Demling RH. Nutrition, Anabolism, and the Wound Healing Process: An Overview. Eplasty 2009; 9: 65-94. 13. MacKay D, Miller AL. Nutritional support for wound healing. Altern Med Ver 2003; 8(4):359-377. 14. Wu G, Bazer FW, Burghardt RC et al. Proline and hydroxyproline metabolism: implications for animal and human nutrition. Amino Acids. 2011;40:1053-63. 15. Ponrasu T, Jamuna S, Mathew A et al. Efficacy of L-proline administration on the early responses during cutaneous wound healing in rats. Amino Acids. 2013;45:179-89. 16. Phang JM, Liu W, Hancock CN et al. Proline metabolism and cancer: emerging links to glutamine and collagen. Curr Opin Clin Nutr Metab Care. 2015;18:71-7. 17. Raynaud-Simon A, Belabed L, Le Naour G et al. Arginine plus proline supplementation elicits metabolic adaptation that favors wound healing in diabetic rats. Am J Physiol Regul Integr Comp Physiol. 2012;303:R1053-61.18. National Pressure Ulcer Advisory Panel, European Pressure Ulcer Advisory Panel and Pan Pacific Pressure Injury Alliance. Prevention and Treatment of Pressure Ulcers: Quick Reference Guide. Cambridge Media: Osborne Park, Western Australia: 2014.

 



Fonte: Divulgação | Portal da Enfermagem

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