São Paulo, 19 de outubro de 2019
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Mortes por meningite antes do inverno põem em alerta cidades paulistas

11/06/2019

vacinação

A ocorrência de mortes por meningite antes do inverno, estação mais propícia para a doença, põe em alerta os serviços de saúde em cidades do interior de São Paulo. Em Indaiatuba, três pessoas - um adolescente de 17 anos e dois bebês, com 8 meses e 1 ano e 2 meses respectivamente - morreram este ano após contrair a doença. A última morte aconteceu em maio. Dois óbitos decorreram de meningite bacteriana, o outro foi causado por meningite viral. Uma quarta morte, possivelmente por meningite viral, de um bebê de 1 ano e 2 meses, está em investigação. Houve outros 20 casos em que os pacientes se recuperaram.

 

A Secretaria da Saúde realiza uma ação em escolas infantis do município e, quando necessário, faz a vacinação dos alunos. Os agentes conferem as carteiras de imunização e orientam os pais sobre as formas de prevenção. O Departamento de Vigilância Epidemiológica afirma que não há razão para alarme, pois os casos em 2019 estão dentro da média histórica. Em 2018, foram 43 casos e três óbitos e, em 2017, houve 51 casos e dos óbitos. A prefeitura informou que acompanha rigorosamente todos os casos suspeitos e confirmados, seguindo os protocolos do Ministério da Saúde.

 

Em Sorocaba, foram confirmados 58 casos de meningites este ano, sendo 13 de meningites bacterianas, 36 casos virais e 9 de outras etiologias. Do total, quatro evoluíram para óbitos. Apesar dos números, a Vigilância Epidemiológica municipal informou que não há surto na cidade. "Toda suspeita de meningite deve ser notificada para a Vigilância Municipal, que monitora os casos e indica medidas de bloqueio quando necessárias", informou a prefeitura.

 

Em Mairinque, um estudante de 11 anos morreu em abril, após contrair a forma bacteriana da doença. A criança havia sido internada com suspeita de picada de animal peçonhento, mas os exames confirmaram a meningite. A Vigilância Epidemiológica fez o bloqueio do caso. Em São José do Rio Preto, entre as vítimas da meningite está o jornalista Fabiano Fresneda, de 34 anos. Ele morreu em abril deste ano, após permanecer cerca de 50 dias internado na unidade de terapia intensiva do Hospital de Base.

 

Em Ribeirão Preto, um bebê de 8 meses morreu de meningite bacteriana, no mês passado. Foi a segunda morte pela doença no ano. Em abril, um bebê de 7 meses foi a óbito após contrair meningite meningocócica. Conforme a Secretaria da Saúde, a cidade teve outros 23 casos da doença este ano. Em Ilhabela, litoral norte do Estado, o surgimento de cinco casos de meningite levou à suspensão das aulas nas escolas em que as crianças, com idades entre 2 e 4 anos, estudavam. Quatro casos eram virais e um bacteriano, mas todos os pacientes evoluíram para a cura.

 

SURTOS - O Centro de Vigilância Epidemiológica (CEV) da Secretaria de Saúde do Estado informou que não há evidência de anormalidade no cenário epidemiológico da meningite até o momento. "Em casos de surtos localizados, sempre que necessário, as vigilâncias epidemiológicas são acionadas para agir imediatamente na investigação dos casos e providenciar a vacinação de grupos específicos com o objetivo de conter efetivamente a transmissão", disse, em nota. Conforme a pasta, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza gratuitamente a vacina contra meningococo C, conforme definição do Ministério da Saúde. 

 

Segundo dados do CEV, levando em consideração todas as etiologias de meningite (bacteriana, viral e outras não especificadas) foram registrados 1,7 mil casos e 94 mortes pela doença, até o dia 7 de maio deste ano, no Estado. Em todo o ano de 2018, foram 7,5 mil casos e 439 óbitos - a maioria, cerca de 350, causados pela meningite bacteriana. Não foi possível comparar com os números deste ano com o mesmo período do ano passado. O inverno, período mais crítico para a doença, começa no próximo dia 21.

 

ATENÇÃO - O médico infectologista Marco Aurélio Sáfadi, presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e professor da Faculdade de Ciência Médicas da Santa Casa de São Paulo, disse que a meningite, em suas várias formas, é uma doença grave e exige atenção. "A maioria dos casos é da meningite viral, que evolui de forma menos grave e com risco de morte pequeno. Já as meningites bacterianas, essas são mais graves, com risco de morte e de sequelas. Duas delas, a pneumocócica e a meningocócica, são as protagonistas de casos graves."

 

Ele alerta que a meningite meningocócica pode acometer todos os grupos etários. Já a pneumocócica têm casos mais concentrados em crianças pequenas, inclusive bebês. O diagnóstico, segundo ele, tem estreita relação com a faixa etária. "Tanto em crianças como em adultos, é comum a febre e dor de cabeça intensa, acompanhadas de vômitos. Também podem provocar púrpuras, as manchas de pele avermelhadas." Ele explica que a dor de cabeça acaba causando o sintoma típico de rigidez na nuca, com dificuldade para movimentar a cabeça.

 

No caso dos bebês, principalmente aqueles de poucos meses, que não podem se manifestar pela fala, ele considera importante observar os sinais de irritabilidade e gemência, que devem servir de alerta para os pais. "Além da febre e vômito, estes são sinais típicos de infecções graves como a meningite." Nos bebês, também é importante observar o abaulamento da fontanela, a 'moleirinha' da criança. Sáfadi considera a vacina a forma de prevenção mais eficaz. "São doenças de transmissão principalmente respiratória e a vacina, se não previne todos os tipos dessas infecções, imuniza contra a maior parte e reduz significativamente o risco."

 

Quais vacinas que são oferecidas gratuitamente e que protegem contra a doença?

 

O Ministério da Saúde oferta quatro imunizantes contra as principais causas de meningite bacteriana, que é a mais grave. São elas:

 

BCG, que protege contra a meningite turberculosa, com uma dose ao nascer;

 

Pentavalente, que protege contra as infecções invasivas, entre elas a meningite, causadas pelo Haemophilus influenzae sorotipo b, com doses que devem ser aplicadas aos 2, 4 e 6 meses de vida;

 

Meningocócica C, que protege contra a doença meningocócica causada pela Neisseria meningitidis sorogrupo C, com doses aos 3 e 5 meses e um reforço aos 12 meses de idade. Os adolescentes de 12 e 13 anos também deve ser vacinados, com dose única que serve também como reforço;

 

Pneumocócica 10, que protege contra as infecções invasivas, entre elas a meningite, causadas por dez sorotipos do Streptococcus pneumoniae, com doses aos 2 e 4 meses de idade e um reforço aos 12 meses.

 

Qual meningite é mais perigosa? A viral ou a bacteriana?

 

A doença causada por bactérias, como a meningite pneumocócica e a meningite meningocócica, costuma se apresentar de forma mais grave, principalmente se causar infecção generalizada. Nesse caso, ela pode levar o paciente à morte em poucas horas. Quando é viral, a evolução é mais leve.


Quais são os sintomas da meningite?

 

No caso da infecção bacteriana, febre, dor de cabeça e rigidez do pescoço começam de forma súbita. Os pacientes também podem apresentar: mal-estar, náuseas, vômito, aumento da sensibilidade à luz, confusão mental. Em casos mais graves, convulsões, delírio, tremores e coma. Na meningite viral, além desses sintomas, a pessoa também pode ter falta de apetite, irritabilidade, sonolência ou dificuldade para acordar e falta de energia.

 

O que é a meningocemia?

 

Também chamada de septicemia meningocócica, é uma infecção causada pela bactéria Neisseria meningitidis na corrente sanguínea, que acaba se espalhando pelo organismo. Os sintomas são: fadiga, mãos e pés frios, calafrios, dores nos músculos, articulações, peito ou região abdominal, respiração acelerada, diarreia e manchas vermelhas pelo corpo.

 

Como a doença é transmitida?

 

O tipo bacteriano é transmitido de pessoa para pessoa por gotículas e secreção do nariz e da garganta, mas também há bactérias passadas pelos alimentos. As virais dependem do tipo de vírus. Há casos de contaminação por contato com pessoas e objetos infectados e até por picada de mosquitos, de acordo com o Ministério da Saúde.

 

Como é feita a prevenção?

 

Embora a meningite possa ser causada por diferentes agentes infecciosos, é possível evitar os principais tipos por meio da vacinação.


Como a meningite é diagnosticada?

 

Por meio de exames de sangue e do líquido cerebroespinhal (líquor). A partir da identificação do agente causador da infecção, o médico indica o tratamento adequado. O líquor deve estar límpido e incolor. Quando há infecção, ele fica turvo.

 

Como é o tratamento para a doença?

 

Pessoas com a suspeita de meningite sempre são internadas, tendo em vista a gravidade da doença. As meningites bacterianas são tratadas com antibiótico e as virais, com antivirais. De acordo com o fungo detectado em quem tem essa forma da doença, são recomendados antifúngicos. O parasita também deve ser identificado para o tratamento de quem tem a meningite causada por parasita, que inclui medicamentos para dor de cabeça e febre - esses sintomas podem ser fortes.



Fonte: O Estado de S. Paulo | Portal da Enfermagem

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