São Paulo, 16 de abril de 2021
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Estomaterapia | Sônia Regina Pérez Evangelista Dantas

Enfermeira Estomaterapeuta TiSOBEST, doutora em Clínica Médica, Área de Ciências Básicas pela Universidade Estadual de Campinas - Unicamp e Presidente da Associação Brasileira de Estomaterapia - SOBEST (Gestão 2021-2023). - Email:

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O DIA DA INTERNACIONAL DA MULHER E A MULHER NA ENFERMAGEM

Oito de março foi instituído como o “Dia Internacional da Mulher” pela Organização das Nações Unidas em 1975, inicialmente como um movimento de reivindicação por igualdade nas condições de trabalho e posteriormente como empoderamento e incentivo aos direitos da mulher na sociedade e contra a discriminação de gênero ou qualquer tipo de violência.

Um dos marcos desse dia foi um incêndio em uma fábrica têxtil na cidade de Nova Iorque, em 25 de março de 1911, onde 125 mulheres e 21 homens morreram queimados, pois era permitido aos empregadores trancar seus funcionários nas fábricas durante o expediente, para conter movimentos de greve ou qualquer outra manifestação de direitos pelas condições precárias de trabalho. Esse acontecimento suscitou muitos outros movimentos políticos organizados por mulheres, buscando direitos trabalhistas e eleitorais.

Essa força e poder feminino também estão na história da enfermagem. Florence Nightingale, considerada a precursora da enfermagem moderna, deixa uma vida luxuosa e confortável para servir como enfermeira e chefe da equipe de enfermagem na Guerra Criméia (1853-1856), revolucionando a assistência e profissionalizando a enfermagem para mulheres, com a fundação da primeira escola de enfermagem em Londres (1860).

Contemporâneas, Ana Justina Ferreira Neri, brasileira e baiana, considerada precursora da Cruz Vermelha, serviu como voluntária para cuidados de enfermagem na Guerra do Paraguai (1864-1870), acompanhando seus filhos e irmão convocados para lutar . Considerada a primeira enfermeira do Brasil, Ana Neri transformou a realidade sanitária e estruturou hospitais de campanha. A primeira escola de enfermagem brasileira foi inaugurada no Rio de Janeiro em 1923 e tem o seu nome: Escola Ana Neri.

Na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), 67 enfermeiras brasileiras alistaram-se voluntariamente na Força Expedicionária Brasileira, em um momento em que às mulheres só eram permitidas as profissões de enfermeira ou professora no ensino “primário”, corajosamente ingressaram para força militar.

Em 2021 a Organização das Nações Unidas - ONU coloca como o tema de comemoração ao dia Internacional da Mulher: “Mulheres na liderança: Alcançando um futuro igual em um mundo de COVID-19“.

A história e o dia a dia da enfermagem nos mostram mulheres líderes e isso teve grande repercussão e destaque nessa pandemia. Somos um contingente de 2.449.637 profissionais atuando no país (601.748 enfermeiros, 1.417.363 técnicos de enfermagem, 430.220 auxiliares de enfermagem e 306 obstetrizes) e a maioria mulheres (85%).

A enfermagem enfrenta hoje uma situação semelhante à de Florence, Ana Neri e das voluntárias na Força Expedicionária Brasileira. Embora com melhores recursos e tecnologias, enfrentamos uma guerra epidemiológica com repercussões em número de internações, sofrimento e mortes que se comparam às situações vivenciadas nas lutas armadas.

Nesse marco histórico não temos como nominar nossas heroínas (e heróis) da enfermagem, mas o Dia Internacional da Mulher de 2021 será marcado pela liderança feminina à frente da pandemia de COVID-19. Esse é o momento de empoderamento da enfermagem para valorização e respeito à nossa profissão, pois somos essenciais e insubstituíveis nas ações de saúde. Orgulho de ser enfermeira. Orgulho de ser mulher.

1 - No Brasil, as mulheres adquiriram direito a voto somente em 1933, há 88 anos.
2 - Brazil, T.K. (organizadora), Sales, S. M., Portella, S.D.C. - Ana Justina Ferreira Neri. Projeto Herois da Saúde na Bahia. Disponivel em http://www.bahiana.edu.br/herois/heroi.aspx?id=Mg==. Acesso em: 03/03/2021.
3 - Atualmente Escola de Enfermagem da Universidade Federal do Rio de janeiro.
4 - www.cafehistoria.com.br. Cristina d’Avilla. Força Feminina contra o nazismo: a enfermeira brasileira Virgínia Portocarrero na segunda guerra mundial
5 - http://www.cofen.gov.br/perfilenfermagem/blocoBr/QUADRO%20RESUMO_Brasil_Final.pdf

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