São Paulo, 1 de outubro de 2020
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Estomaterapia | Maria Angela de Paula

Profa. Dra Maria Angela Boccara de Paula - TiSobest Presidente da Associação Brasileira de Estomaterapia - Sobest Editora da Revista Estima Professora Doutora do Departamento de Enfermagem e Nutrição e Professora do Programa de Mestrado em Desenvolvimento Humano Universidade de Taubaté - Email: presidencia@sobest.com.br

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Sobre ser enfermeira

Neste ano em que se celebra o ano internacional da profissão, me sento para escrever sobre ser enfermeira.

Que especial esta profissão tão cheia de possibilidades e dificuldades! Alegrias e incertezas. Múltiplos caminhos que se abrem ao longo da trajetória profissional.

É preciso estar atento para aproveitar as oportunidades que a profissão oferece. E são tantas!

Existem tantos campos de trabalho possíveis para o enfermeiro que muitos nem imaginam! O enfermeiro não atua só em hospitais e Unidades de Terapia Intensiva, só na assistência direta. É um profissional que pode atuar como consultor, auditor, no gerenciamento e planejamento de Unidades de saúde e educação, ser professor, pesquisador, atuar na indústria relacionada à saúde. Enfim, são muitas as oportunidades que ser enfermeira (o) nos oferece.

De maneira geral, somos vistos como executores de cuidados, mas tão pouco se fala sobre tantas outras coisas que somos capazes de realizar. E, assim, nossa imagem se mantém vinculada ao feminino e ao maternal, já que ainda somos uma profissão predominantemente feminina. Porém, essa não é a realidade de fato, a Enfermagem vem ao longo anos crescendo e se desenvolvendo enquanto Ciência, que tem no cuidado seu foco principal sim, mas um cuidado balizado pelas evidências científicas.

No Brasil, temos algumas escolas de Enfermagem de excelência, bem como professores e pesquisadores renomados, mas infelizmente temos também muitos cursos que oferecem formação mediana e até bastante ruim, que não instrumentalizam de fato os profissionais. Assim, quando estes ingressam no mercado de trabalho, muitos encontram dificuldades para se desenvolver e, por vezes, assumem posturas profissionais de manutenção do sistema existente, sem aprimorar ou lutar por melhores condições de trabalho e de remuneração, por exemplo.

A formação política do enfermeiro é praticamente inexistente, poucos recebem ou buscam conhecimentos que possam alicerçá-los para o enfrentamento de situações complexas nos ambientes de trabalho. Poucos são aqueles que se envolvem na elaboração das políticas públicas da saúde e, menos ainda, são aqueles que conhecem de fato o sistema de saúde e suas nuances. Desta forma, nos tornamos alheios a muitas questões e geralmente desconhecemos os caminhos necessários a percorrer para garantir a qualidade do cuidado prestado.

Muitos irão dizer que não temos condições de trabalho adequadas, que somos mal remunerados e, portanto, fazemos o que dá. Será que essa não é uma posição cômoda demais? Acredito que é preciso refletir sobre isso e buscar formas de batalharmos juntos por tudo isso que realmente não temos.

Nesses tempos de pandemia, estamos sendo homenageados com aplausos e agradecimentos. Que bom! Realmente estamos trabalhando duramente, correndo alto risco de adoecermos e contaminarmos nossos familiares, muitos profissionais brasileiros morreram. E isso realmente é cruel, e me entristece profundamente.

Sei que não é tão simples e fácil essa luta, mas é preciso que tenhamos consciência da importância de nos unirmos para conquistar muito mais que aplausos e agradecimentos. É preciso reconhecimento social, dos nossos pares, dos políticos, de nós mesmos, mais e mais para que tenhamos salário, jornada e condições de trabalho dignos. Para que não seja preciso trabalhar em dois ou mais empregos para conseguirmos nos manter, para que possamos nos cuidar e ter tempo suficiente para dormir o necessário e revigorar o corpo verdadeiramente.

Ser enfermeira (o) é realmente um grande desafio que se conjuga com grandes prazeres. O sorriso de uma mãe, o agradecimento de um idoso, um aperto de mão da sua equipe, a alta hospitalar de alguém muito grave, o sucesso do aluno, a publicação da pesquisa, o evento de sucesso, a inserção de um produto de qualidade no mercado, uma auditoria justa e bem feita. Enfim, são tantos os momentos recompensadores que a profissão nos oferece e eu tenho tanto orgulho de ser enfermeira, posso fazer tanto! Que dádiva! E que grande oportunidade!

Por tudo isso, parabenizo cada profissional da equipe de Enfermagem e reforço a importância da união para juntos lutarmos por maiores e melhores espaços para a profissão. Precisamos ter claro que talvez não iremos usufruir das conquistas, mas é preciso ser visionária com Florence Nightingale, precursora da Enfermagem Moderna, que fez o melhor que podia e sabia, deixando um legado de luz, repleto de reais oportunidades para as próximas gerações de enfermeiras (os) que virão.

Parabéns, Enfermagem! Nosso trabalho é grandioso e fundamental para a humanidade em todas as fases do ciclo vital.

Orgulho de ser enfermeira, de ser Enfermagem!

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