São Paulo, 2 de September de 2015
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Realidade das UTI´s no Brasil

Pela primeira vez a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) realizou o mais completo e amplo mapeamento das Unidades de Terapia Intensiva do país. Resultados são preocupantes e apontam que regiões inteiras do país estão abaixo do índice recomendado pelo Ministério da Saúde.

 

A baixa disponibilidade de leitos de UTI nos estabelecimentos hospitalares de todo Brasil é tema recorrente e uma reivindicação tanto dos profissionais de saúde, quanto da população, que é a mais afetada pelo número insuficiente de UTIs.

 

Por ser a entidade que representa oficialmente os profissionais intensivistas, que são aqueles especializados nos cuidados aos pacientes críticos e internados em UTI, a AMIB, em parceria com a New BD, realizou o primeiro censo, que avaliou aspectos como: distribuição regional dos estabelecimentos que declaram possuir leitos de UTI, caracterização dessas unidades segundo o tipo de leito, disponibilidade de leito segundo a população residente e  principais equipamentos presentes.

 

Para realizar esse mapeamento a AMIB, utilizou, inicialmente, dados secundários e oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). Num segundo momento, foi realizada uma pesquisa, que coletou dados secundários em todos os estabelecimentos hospitalares do país.

 

O resultado foi um mapeamento abrangente e, ao mesmo tempo, preocupante, do cenário das UTIs brasileiras, que apresentam números insuficientes e abaixo da média recomendada pelo Ministério da Saúde, que por meio da Portaria 1101/GM, de 12 de junho de 2002, estabelece a necessidade de 4% a 10% do total de leitos hospitalares, o que corresponde a 1 a 3 leitos de UTI para cada 10 mil habitantes.

 

Segundo o Censo AMIB, que pesquisou 26 estados e o Distrito Federal, o Brasil tem 1,3 leitos de UTIs para cada 10 mil habitantes, 20 estados apresentam índices abaixo do recomendado pelo Ministério da Saúde e regiões inteiras como Norte e Nordeste também estão aquém da proporção indicada pelo MS.

 

Pelo Censo AMIB, o Brasil conta, atualmente, com 25.367 leitos de UTI, distribuídos em 2.342 Unidades de UTIs em 403 municípios.

 

Ao se fazer a análise dos dados e dividir o número de leitos pela população, os melhores resultados foram alcançados pelo Distrito Federal, que oferece 2,4 leitos por 10 mil habitantes, seguido por Rio de Janeiro (2,1), São Paulo (1,9) e Rio Grande do Sul e Paraná (1,7).

 

Já os piores resultados são dos estados de Roraima (0,1), Maranhão e Acre (0,5) e Bahia e Pará (0,6).

 

A partir desses dados, a AMIB fez um novo levantamento e apurou a distribuição dos estabelecimentos que têm UTIs segundo o tipo de paciente atendido e identificou que, no Brasil, a grande maioria das UTIs (95,5%) é Mista, 27,1 Neonatal e 16,1% Pediátrica.

Outro dado apurou a distribuição dos estabelecimentos segundo o perfil da mantenedora, que apresentou os seguintes resultados: 39,5% (Privado), 33,5% (Filantrópico), 25,2% (Público) e 1,8% (Não Classificado).

 

 A AMIB deu início a segunda etapa de seu censo, desta vez qualitativa, que está identificando os recursos disponíveis e número de pacientes atendidos nas UTIs. Em sua terceira fase, os dados apurados pelo censo serão disponibilizados na Internet para que possam ser atualizados em tempo real por todas as UTIs brasileiras.

 

Os dados gerais do Censo AMIB serão divulgados durante o XIV Congresso Brasilerio de Medicina Intensiva, que acontece de 12 a 14 de novembro, em São Paulo, no Palácio das Convenções do Anhembi.